Arte & Cultura.

Glória Perez e o teatro da vida real na tv



Durante o transcorrer dos capítulos da última novela das 21 horas da rede Globo de televisão, ficaram notoriamente consagrados o talento, a coragem e a sensibilidade da escritora Glória Perez no que se refere às questões polêmicas e delicadas que tanto permeiam o universo humano, e que por mais que sejam difíceis na abordagem, estão entravadas no meio social e clamam por esclarecimentos para que as pessoas entendam que a aflição e a alegria de ser o que é não são oriundas de uma fábula, são fatos reais que se originam da própria humanidade. Ou seja, é preciso lembrar que é exatamente a ignorância que mais se encontra na linha de frente da intolerância e do "pré" conceito que tanto bombardeiam e matam os que porventura, ousarem ser diferentes. Mas as questões que a escritora faz questão de abordar nas suas histórias vão além disso, elas são espelhadas no âmago do próprio meio social em que vivemos,  é como se a mesma sorvesse a inspiração de mestres como Nelson Rodrigues e Pedro Almodóvar para fincar a estaca na ferida na zona de conforto das relações construídas no fulcro da mentira, da ilusão e da hipocrisia. Além disso, cada história trazida por Glória Perez sempre tem como característica a obrigatoriedade de prestar um serviço à população que acompanha seus enredos. É como se os personagens funcionassem dentro desse enlace como vozes gritantes que saem do meio do próprio povo para alcançarem os tímpanos mais longínquos do mundo.

Temas como tráfico internacional de mulheres, esquizofrenia, imigração ilegal, clonagem humana, dependência química, aluguel de útero, doação e transplante de órgãos já foram abordados em telenovelas da autora, e no seu último trabalho vieram à tona questões que deram não só o que falar, mas puxou de forma bastante elucidativa a sociedade para a reflexão e a conscientização de assuntos tão em voga no nosso cotidiano como: homossexualidade, preconceito, transfobia, machismo, compulsão incontrolável para o jogo e o comércio de drogas nas facções que envolvem o tráfico. Além de elencar um histórico de temas que envolvem a psique humana, virou uma marca da escritora expor em suas histórias os comportamentos e as tradições de algumas regiões do Brasil e do mundo como a cultura do Pará,  da Amazônia, da Índia, Turquia, como também as tradições ciganas e muçulmanas.
 
 

Não há como falar de Glória sem lembrar do episódio trágico de 1992, que segundo ela, foi a dor mais difícil que teve que enfrentar na vida, quando sua filha, a atriz Daniela Perez de 22 anos, foi assassinada pelo também ator Guilherme de Pádua, tendo como cúmplice no assassinato, a sua própria mulher. Na época, a tragédia chocou o Brasil, haja vista que Guilherme fazia par romântico com Daniela na novela "de corpo e alma" escrita também por Glória.
 

E assim, com propriedade e muita força para falar sobre assuntos que representam histórias que se originam no mais profundo âmago dos telespectadores, Glória Perez vai escrevendo brilhantemente o seu próprio nome na história da teledramartugia brasileira, onde a arte da representação teatral cintila com um louvor sofrido e preciso as mais densas e complexas biografias de um público cada vez mais diverso e com uma ânsia desesperada de ser cada vez mais ouvido e corretamente interpretado.

Izaqueu Nascimento

3 comentários:

  1. Temas que ainda são retirados da pauta familiar. Parabéns por ter o olhar aberto aos seres e não aos rótulos.

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  2. Temas que ainda são retirados da pauta familiar. Parabéns por ter o olhar aberto aos seres e não aos rótulos.

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