Arte & Cultura.

Todos os sentimentos na discografia de um amante eternamente à moda antiga

O dia era 12 de Agosto e o ano era 1975. Por volta do fim da tarde num hospital da cidade de Santa Rita na Paraíba uma enfermeira cantava canções de Roberto Carlos, enquanto minha mãe amamentava seu filho caçula recém nascido, no caso, eu. Isso mesmo. E foi assim: Como se quando em minha porta alguém tocou,  sem que ela se abrisse ele entrou e já no meu primeiro dia de vida eu comecei a ouvi-lo. E enquanto minha mãe me nutria, creio que a partir daquele momento eu já olhava pra ela dizendo pra mim mesmo: Eu sei que vou te amar, por toda minha vida eu vou te amar.


Pois é meu caro leitor. As linhas que escrevo nesse momento, agora mais do que nunca se direcionam a você, e devo dizer que de lá pra cá, essas músicas começaram a fazer parte da minha história de uma forma intimista, lírica e doce. Até hoje eu as ouço com um sentimento que eleva minhas emoções nun patamar de foro íntimo, só meu. Como se me recolhesse a sós, num claustro de amor, que muito embora eu faça por dividir com as pessoas que amo, inevitavelmente só a mim compete e a toda hora vão estar presentes, você vai ver. Pedindo permissão aos trechos das canções que me foram citadas, sei que às vezes é tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe. Creio que o mundo que nós queríamos não é esse. Tanta gente se afastou do caminho que é de luz. Questionamos a falta da sensibilidade em tantas pessoas que dá vontade de olhar nos olhos das que não morrem nas mãos da indiferença e dizer: Não é possível que no fundo do seu peito, seu coração não tenha lágrimas guardadas. E dessas lembranças que me chegam em noites tão vazias, e mechem tanto com minha cabeça, que quando o sono vem o dia já nasceu. Sofri, chorei, tanto que nem sei, mas e daí? São de muitas delas que também vão sendo formadas as nossas vidas, e embora você tenha tido um trajeto peculiarmente seu, podemos sim, ter e ver as mesmas emoções sentindo. Sim caros leitores! É desse jeito. E de tal forma que fui criando uma crosta de ferro ao ponto de me decidir de lembrar tantas vezes que eu tenha vontade sem nada a perder. São avalanches de sentimentos que se misturam ao que foi tão bom e ao que também nos entristecem. Essas recordações me matam, por isso eu venho aqui como que buscando um antídoto, um álibi pra que o pulsar da vida continue e floresça, como sobrevivente aguerrido, como uma fera sentada à beira do caminho, que foi atingida, mas que ao se desfazer, depois se refez, mesmo saindo ferida e sufocando o seu gemido. Como um pássaro também ferido e peito machucado, que voa pra esquecer as desilusões dos pousos difíceis. 

Pensamentos que me afligem, sentimentos que me dizem, nesse tic tac de oscilações, vamos na desordem do quarto a esperar os ponteiros marcarem a trajetória de várias primaveras, em dias que voam como foguete, em outros onde os segundos vão passando lentamente, sem ter hora pra chegar. Razão de minha paz já esquecida, do cansaço, da solidão que apertam o coração de madrugada e dos traumas que a gente só sente depois que cresce. 

E eu cresci, maturei e continuo ouvindo essas canções como trilhas sonoras da minha vida. Cresci, mas confesso que às vezes tenho vontade de ser novamente um menino, aquele recém nascido do berçário que nas suas primeiras horas de vida já ouvia Roberto, embalado por canções que me lembram algumas pessoas e situações que até hoje enfeitam minha vida, meus sonhos realizam, me fazem tão bem. Nesse dia 12 de Junho, vou pedir a lua que ilumine a rua, toda a noite e em cada fase sua. E proponho a você leitor, não dizer nada, apenas seguirmos juntos nessa mesma estrada que semeia o encontro de almas e que continua depois do amor, no amanhecer. Porque enquanto o amor me representar, todo o resto é mais, e nesse propósito vou em frente, tô com Deus, estou contente, meu caminho eu sigo em paz. Ao final de tudo, é Ele que me dá a mão, cuida do meu coração, da minha vida, cuida de mim.

Izaqueu Nascimento



Meus sinceros agradecimentos à galera do facebook que contribuiu com a construção dessa poética me informando qual a música do Roberto que marcou a sua biografia. Sei o quanto foi difícil porque eu mesmo não teria como citar apenas uma. Por isso mesmo, que em algum trecho do texto, fiz questão absoluta que todos vocês estivessem presentes através da arte desse ícone musical brasileiro, que em algum momento, tatuou a história de cada um.

Walmir Mike – Eu sei que vou te amar
Roberta Almeida e Danielson Alves – Outra vez
Helena Oliveira Santiago – Sentado à beira do caminho
Cybelle Mackenna  e Jailton Daniel – As Baleias
Cris Pessoa – Emoções
Lincoln Pereira de Medeiros – O taxista
Jovem Pereira, Maria Margarete e José Carlos Cézar – O divã
Sanzia Márcia Pessoa – Traumas
Gilmar Marcelino e Regivaldo Junior – As canções que você fez pra mim
Roberto Martiniano Jr. – Todos estão surdos
Rose Gomes e Lina Lilian Barbosa – Quando
João Bezerra – O astronauta
Antônio Alves – A guerra dos meninos
Josilda Luiz – Caminhoneiro
Rosa Maria – A distância
Karina Jordão – Fera ferida
Ivanilde de Lima Bonifácio – Café da manhã
Joseneide Ribeiro – Amor Perfeito
Jackeline Figueireido – Lady Laura
Eliane Santos – Proposta
Sônia Maria – Detalhes
Marivanda Sales Carvalho – A mulher que eu amo
Josélia Cruz – Nossa Senhora
Alexsandra Fernandes – Amante à moda antiga
Sonia Santos – Pássaro Ferido
Raimunda Maria – Lua nova
Elba Goes – Além do horizonte
Santiago Neto – Pensamentos
Clênio Alisson – Como vai você?














1 comentários:

  1. Extraordinariamente belo. Profundo e marcante como tudo que vc faz, que marca a vida de todos que te conhecem. Meus aplausos para te vão além do horizonte.

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