Arte & Cultura.

Ô de casa! Seu João tá ai?



Olhe pro céu seu João! Veja como ele tá chorando! Essa chuva de junho tá diferente: Tem gosto de lágrima, de lamento e de "sofrencia". Não é aquela chuva alegre que cai como bálsamo no chão do sertão. As notas musicais da sanfona não estão invocando seu Lula pra cerimoniar o seu arrasta pé. Que lugar é esse? Que pano é esse que não parece com o florido da sua chita? Parece até que a asa branca bateu asa e voou. Venha Cá! Espie aqui!

Oxente! Quero isso não! Aqui em casa tem espaço pra qualquer visitante que queira me abraçar, mas o anfitrião sou eu e meu coração não vou mudar. Se veio foi porque quis me ver. Me procurou nos quatro cantos do mundo mas só aqui veio me achar. Não posso deixar de lamentar a falta do "lengo tengo" do meu triângulo e da minha zabumba. Quem chamou por Seu João gosta de dançar um Baião! Se avexe não! Que da minha essência eu não abro mão. E quem quiser, que traga Fábio, Marília ou axé. Mas pode dizer a Mané e a mulher de seu Zé, que mantenham a fé e permaneçam onde estão. Nessa casa tem tradição e que eu não vou sair não. Porque esse taco de terra é nosso e daqui num arredo o pé.

Izaqueu Nascimento

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