Arte & Cultura.

O cemitério de Recoleta e a arte após a morte



Antes de mais nada, gostaria de me desculpar com os leitores pelos dias ausentes, mas é que quando pego a estrada é como de costume "tentar" me desligar de tudo para aproveitar bem a viagem. Estar em Buenos Aires é como estar na capital europeia da América Latina. A arquitetura da capital argentina se parece demais com Paris. Há muitos instantes inclusive que pensamos estar lá. Amo estar em Buenos Aires porque a cultura e a arte ventilam por todos os poros. Desde às inúmeras opções de teatro (opção excelente para quem entende o espanhol) ao bailado do tango em casas de shows e/ou para quem quiser ver tango e teatro ao mesmo tempo. Dos passeios pelas ruas e avenidas no centro chegamos em pontos turísticos como a Plaza de Mayo, Obelisco, caminhar pelas ruas de Palermo ou chegar ao bairro de Sant'elmo onde podemos sentar no banco da praça e tirar fotos ao lado da fofíssima Mafalda, criação do artista argentino Quino. Dentre as opções de museus, recomendo o Malba, um lugar arquitetonicamente encantador e onde estão expostas obras de vários artistas latinos, dentre os quais destaco a mexicana Frida Khalo e o famigerado "Abaporu" da nossa Tarsila do Amaral. Eu, particularmente, amo passear a pé, embora tenham lugares que é preciso pegar um taxi (que nem é muito caro) e o metrô que custa em torno de 6 a 7 pesos (aproximadamente 2 reais). É de lei tomar um expresso no Café Tortoni ou degustar o tradicional sorvete de doce de leite nas sorveterias da Freddo. (Os preços não são muito convidativos, mas vale a pena).
 
 

O delicioso alfajor (biscoito argentino de chocolate com recheio de doce de leite) está em toda parte para ser degustado e trazido como lembrança para si e para quem você queira presentear. Se tiverem a oportunidade de conhecer a capital argentina, ficam essas dicas. E programem-se com antecedência porque como o peso custam mais de 4 reais, Buenos Aires acaba se tornando uma cidade muito cara, onde "quase" tudo acaba custando muitos pesos.


Vocês devem estar se perguntando a razão do título do texto falar da arte depois da morte. Bem, minha ida à Buenos Aires teve um intuito específico para as minhas pesquisas: Remexer como uma criança deslumbrada as prateleiras da gigantesca livraria El Ateneo em Recoleta e ir ao cemitério do mesmo bairro, onde está sepultado os restos mortais do grande ícone argentino "Eva Peron" a tão famosa Evita.


Para muitos pareceria no mínimo estranho incluir um cemitério num roteiro turístico, mas ao adentrarmos neste,  percebemos a beleza da arte arquitetônica em cada mausoléu. E o mais interessante é vislumbrar com cada um mais bonito que o outro. Os detalhes das fachadas, nas pinceladas esculturais de anjos e colunas barrocas, onde a morte se transforma numa memória onde os personagens da aristocracia argentina descansam em túmulos monumentais regados à uma beleza de uma arquitetura muito sensível e de extremo bom gosto.


Confesso que me foi inevitável refletir sobre como a arte pode servir até como um amparo visual para os que ficam. Obviamente, não cabe aqui questionar coisas do tipo: para quem está sepultado, isso pouco importa ou para que gastar tanto com quem já se foi? porque essas seriam ao meu ver, observações levianas e obscuras.  O mais importante é ressaltar que a beleza e a força da arte fazem inclusive, com que os vivos continuem cuidando dos seus mortos da sua melhor forma possível. E isso é lindo de contemplar. Para alguns,  caminhar por entre os mausoléus do cemitério da Recoleta seria um trajeto desnecessário no roteiro turístico por Buenos Aires porque penso que o ser humano ainda tem dificuldade de encarar a morte com naturalidade e como inevitável consequência da vida, mas também penso que essa já seria uma questão da psiquê humana onde a arte, que é nossa protagonista "mór" em questão, se manifestaria de uma outra forma. 



Izaqueu Nascimento






2 comentários:

  1. Izaqueu... Este é um de seus melhores textos. .. Não só pelas sensíveis dicas. .. mas pela poesia como quem trata da morte e da arte...ou seria da arte e da morte? Parabéns como sempre

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  2. Parabéns por mais um texto informativo, poético e que fala também da morte, mas com suavidade dos imortais.

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