Arte & Cultura.

Alfenim e o milagre paraibano




É sempre com muita alegria que o homem disserta, narra ou descreve a respeito daquilo que o encanta. Dentro desse processo de escrita, é como se às vezes os três gêneros textuais se entrelaçassem inevitavelmente em uníssono, e de tal forma até que a ponta das letras juntam-se às palavras, buscando a formação de uma teia de frases que buscam dizer, expressar, explicar, detalhar com minúcias o que os tímpanos assimilam e o que os olhos percebem para poder tocar no nosso cérebro e na nossa emoção. De certo modo, é assim que vejo o Coletivo Alfenim de Teatro. Um grupo da Paraíba com uma década de história mas que já se consolida como um expoente cênico fortíssimo no nosso país.

Recordo que em 2015, vi por três vezes o espetáculo "Memórias de um cão" dada a satisfação que o mesmo me causou. Do grupo já vi o "Quebra quilos" e o "Milagre Brasileiro" esse último em cartaz na Casa Amarela no centro de João Pessoa, onde o Alfenim está se apresentando às quintas e sextas, sempre às 19 horas, em comemoração aos dez anos do Coletivo. O Alfenim envereda incisivamente por um viés crítico nivelado com pesquisa, marcos históricos e competência, que por um lado nos causam impacto, porém sem perder a leveza. Apesar de um cunho experimental, diga-se de passagem, audacioso. "Milagre Brasileiro" alfineta nossas próprias inseguranças tentando depurar a ferida dos nossos medos do viver e morrer, e não obstante, colocando-nos em riste cena após cena com o cenário atemporal histórico e político do nosso país. Revela um perfil do grupo que embora ao mesmo tempo que se distingue em cada espetáculo, faz com que possamos identificar as impressões digitais da linha de trabalho do grupo. Ou seja, ver Alfenim em cena é se transpor para o que ocorreu, para o que ocorre e para o que ainda poderá ocorrer na moção dos laços e das delações dos nossos dias. É juntar numa só proposta reflexões pessoais que perpassam as úlceras e os bálsamos nos seios das famílias, da política e da conveniência das relações como um todo. Segundo Adriano Cabral, integrante do grupo e protagonista do espetáculo "Memórias de um cão", a música ao vivo foi um forte elemento adotado atualmente pelo Coletivo e que o mesmo o faz com esmero e desenvoltura. Eu, particularmente, devo dizer que o violoncelo dialoga com a gente como se fosse (e o é) uma voz que se mistura ao texto falado e cantado pelos atores enriquecendo-o ainda mais no contexto cênico. Para quem quiser prestigiar uma excelente opção de teatro, eu recomendo. E digo mais: Dadas às inúmeras dificuldades do fazer teatral em nossa atual conjuntura cultural em nosso estado e no nosso Brasil, o Alfenim não é apenas um milagre brasileiro, para nosso orgulho, o Alfenim é um milagre paraibano.

Izaqueu Nascimento


SERVIÇO
Temporada de Milagre Brasileiro na Casa Amarela
Temporada: 04 de maio a 02 de junho, todas as quintas e sextas.
Horário: 19h
Local: Casa Amarela (sede do Coletivo Alfenim). Rua Amaro Coutinho, 163 – Varadouro (paralela à Av. B. Rohan, no sentido Terminal de Integração)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia).
Lugares limitados.

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