Arte & Cultura.

O OSCAR E A SÉTIMA ARTE


E então...Como sintetizar num texto toda gama de percepções e curiosidades sobre esse universo fascinante do cinema  que não seja deveras extenso? Sim, porque existe uma linha muito tênue entre o excesso de quem se expõe e o cansaço de quem visualiza. Contar histórias na tela também tem isso: O cuidado no desenlace de roteiros bem interessantes que infelizmente se estendem por demais  provocando  bocejo e inquietude,  mesmo quando a forma da condução é coerente. Falar da maior premiação da indústria cinematográfica é falar sobre o reconhecimento de um ofício de profissionais que trabalham diuturnamente para contar histórias. Sou fascinado por cinema, muito embora não me considere um cinéfilo. Cá no meu prisma, gosto de filmes que explicitam a realidade tal como ela é, sou atraido por roteiros que possam ser trazidos como aprendizado para o meu cotidiano despertando um bom fulcro para minha própria biografia. De todo modo, nunca fui e nem hei de me furtar de prestigiar os bons filmes de ficção, até porque, mesmo os filmes que possuem  temáticas de características sobrenaturais, podem sim, nos ensinar algo. Ou seja, apesar da minha predileção pelos roteiros  não fictícios, sei que é possível ver no “Harry Potter” ou no “Senhor dos anéis”  edificações de ensinamentos para a vida. Além do mais, a realidade precisa de um pouquinho de magia para que não sejamos e nem possamos nos tornar tão crus. Não foi à toa que este último foi contemplado com 11 estatuetas, incluindo a de melhor filme. Número que se iguala às maiores premiações que foram  concedidas a "Titanic" e a "Ben hur", desde a história do início do Oscar em 1927 até hoje. Isso mostra que não importa o gênero, o que importa é o que o filme desperta no público, levando em consideração, é claro, todo o contexto minuciosamente elaborado no qual ele se insere. A arte de contar histórias exige um esmero delicado e preciso que vai desde a escolha dos atores à trilha sonora. São detalhes que fazem literalmente a diferença quando se trata de encantar o público que vai ao cinema. É uma tarefa árdua e ao mesmo tempo prazerosa porque o resultado final é edificante. Edição, fotografia, figurino e principalmente direção elencam as categorias inclusas na premiação. O Oscar é um prêmio da indústria cinematográfica americana, mas isso não implica em dizer que não contemple  produções estrangeiras. Apesar do Brasil nunca ter ganho uma estatueta, já contou com várias indicações, entre elas a de duas indicações de melhor filme estrangeiro para o filme Central do Brasil e o de melhor atriz para Fernanda Montenegro, única artista brasileira indicada ao Oscar nessa categoria. É óbvio que o Oscar não é uma diretriz absoluta e inquestionável para todos os filmes produzidos no mundo que valem a pena assistir, porque para que um filme chegue ao olhar do Oscar é preciso antes de tudo um trabalho de inscrição e propagação maçiça que o indique e o divulgue para o resto do planeta, mas sem dúvida sinaliza muita produção provida de qualidade e dadas às pretensões das produtoras, é de extrema importância ter um filme no rol dos indicados porque isso faz com que as produções ganhem notoriedade em torno das salas de exibição nacional e internacionalmente. Por outro lado, há muitos e muitos filmes que não são produzidos para chegar ao Oscar e nem por isso deixam de obter o sucesso a que se propõem. A sétima arte brasileira tem evoluído muito nos últimos anos, segundo dados da Ancine, houve um aumento expressivo no número de cinemas no país e as pessoas têm, sim, ido ao cinema, mesmo com o advento da internet e da pirataria, isso sem contar com projetos urbanos que levam a exibição de filmes  itinerante nas ruas até várias cidades do Brasil para as pessoas que nunca tiveram a oportunidade de irem ao cinema. Desde às chanchadas aos dias atuais, percebe-se nitidamente uma evolução no costume do fazer cinema brasileiro, pois o que antes era uma caricatura de filmes norte americanos e europeus, versus os grandes Oscarito e Otelo ao clássico cinema mudo do fabuloso Chapplin, hoje, por aqui  já vemos o estilo abrasileirado mais apurado, embora a influência estrangeira ainda seja nítida. Filmes que simplesmente nos divertem, filmes que nos melhoram, filmes que nos chocam...Enfim, eu poderia elencar aqui um top ten com os meus 10 filmes favoritos e as razões deles terem me cativado, mas como cada leitor possue um gosto peculiar e uma leitura de mundo que pode ou não ser distinta à minha, acho mais proveitoso, se fazer 3 questionamentos para que vocês reflitam após os filmes que viram ou que virão a assistir: 

1) Até que ponto eu estava presente no roteiro sem fazer parte dele?
2) Eu reveria esse filme?
3) Algo mudou em mim depois de assisti-lo? Se mudou, o quê, por que e para quê? 

Serão respostas também peculiares à cada pessoa que independente dos mesmos filmes, podem ser semelhantes ou diferentes para cada um de nós.

Passeios gloriosos na tela são assinados por grandes mestres desta arte como  Fellini, Almodóvar, Tarantino, Copolla, Scorcese, Hitchicock,  Woody Allen, Spielberg, Rossellini e Polanski. Estes são meus prediletos, mas há uma infinidade de talentos que por mais que exalem competência nas suas criações cinematográficas, não deixam de beber na fonte destes nomes. Cinema, além de entretenimento, também precisa servir como um pilar de conscientização. Fazer uma história no cinema e identificar-se com ela faz com que o mundo, seja em qual país for, nas suas mais diversas especificidades de aceitação ou preconceito, se represente neste ofício. É como uma menina negra queniana se vendo refletida na atriz Lupita Nyong’o no seu discurso de melhor atriz coadjuvante por "Doze Anos de Escravidão" ou como um menino negro brasileiro que sofre racismo por conta de sua cor, seja voz no personagem de Lázaro Ramos, no filme "Ó paí, Ó". Tudo relativo e ao mesmo tempo atrelado, pois como muito bem disse Millôr Fernandes: Se se ganha dinheiro, o cinema é uma indústria. Se se perde, é uma arte.

Izaqueu Nascimento

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