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BLOG DO IZAQUEU NASCIMENTO: 'Carnaval e fantasia'

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Oh abre alas que eu quero passar...

Eita! Está chegando o carnaval e com ele toda sorte de apetrechos que permeiam os mais de 4 dias do feriadão profano.

Certamente, para os carnavalescos e foliões fiéis, o que vemos de mais interessante nessa festa é que há espaços carnavalescos para todos os tipos e gostos. E convenhamos: dentro desse cenário, não há comemoração mais democrática!

Não só curte um bom carnaval quem tem dinheiro, porque o evento é tão eclético que se resplandece na alegria de gregos e troianos que se jogam no embalo dos trios, dos bailes, blocos, escolas de samba, marchinhas de rua, nos batuques dos becos, nas efervescências rítmicas distintas que sinalizam muito o reggae, o afro reggae, o pagode, o samba e o axé. Melodias carnavalescas que se encontram e se desencontram dentro dos clubes, das boates, por entre vielas, logradouros e praças públicas.

A pluralidade visual e tão gigantesca que vemos desde a sofisticação de eventos elitizados até a mais simples batucada do som da periferia. O carnaval é um evento tão bombástico e esperado que, antes mesmo da data em si, já inventaram as prévias, que o digam os famigerados blocos da nossa capital paraibana que se antecedem à data, desde as muriçocas do Miramar, que já ocorre na quarta feira de fogo ao irreverente Virgens de Tambaú, que desfila sempre um domingo antes.

Idiossincrasias à parte, há  também, é claro, uma parcela bastante significativa de gente que não curte a folia, ou que já curtiu muito e resolve pausar um pouco, ficando na quietude do lar, acompanhando a coisa toda pela tv e afins; outros lendo, estudando, descansando; outros simplesmente indo ao encontro de programas paralelos como os retiros.  E lá fora, a coisa vai tomando corpo, as artes observadas no período de momo demonstram uma criatividade gritante.

O turismo atinge um ápice e certamente o Carnaval não deixa de ter um arcabouço capitalista, sobretudo nos grandes polos brasileiros, onde a festa mais se resplandece. De todo modo, asseguro que é muito lindo e emocionante estar perto do espetáculo das escolas de samba no eixo Rio-São Paulo, onde todo um esforço coletivo de preparação a cada ano entre músicos, sambistas, compositores, passistas, coreógrafos, aderecistas, profissionais da costura e toda comunidade envolvida se explicita similar a uma apresentação teatral para contar através de um samba enredo uma história com um pouco mais de uma hora na Avenida. É de fato uma demonstração de arte visual que inevitavelmente enche os olhos de quem contempla.

Não obstante, também há muita arte visual nas ruas, onde as fantasias denunciam que mesmo num período de crise política e econômica, o mesmo povo cria e recria os estilos mais dadaístas possíveis para alfinetar com muito bom humor os seus desafetos com a insatisfação dos seus governantes. Apesar do carnaval ter forte influência portuguesa e africana, foi ao longo do tempo moldando-se ao seu estilo “brasileiro” de se reinventar e de se tornar único no mundo inteiro.

Em meio a um tempo de violência crescente no país, o brasileiro, festeiro por essência, precisa cada vez mais tomar precauções no tocante à sua segurança. E na caminhada desse embalo, vale lembrar que devido a um índice alarmante de liberdade e libertinagem sexual, as doenças sexualmente transmissíveis têm-se cada vez mais se proliferado.

Portanto, é sempre bom lembrar de precaução e amor próprio. Afinal, independente de escolhas e orientações, curtir o evento de forma responsável é também não só respeitar as diferenças, é respeitar e absorver a cultura da região onde se está, é respeitar o outro, para que na conclusão das contas da quarta-feira de cinzas se constate que se optou sobretudo, por respeitar a si mesmo. Porque numa festa onde as cores se entrelaçam sinalizando um leque de lembranças felizes e efusivas, tatuar o fim do samba enredo com uma patologia, seria no mínimo, uma melodia triste para os  foliões que iniciaram a quarta-feira de fogo fantasiados de sorrisos.

Izaqueu Nascimento



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